Horácio encarava fixamente o infinito azul que lhe cercava, coberto por pingos prateados e brilhantes. A brisa refrescante lhe encobria os cabelos, e o cheiro adocicado da Dama da Noite relembrava o aroma peculiar feminino, capaz de instigar o mais cambaleante dos homens. Um gosto amargo lhe subia à boca, enquanto os últimos 15 minutos se passavam intensamente pela sua mente, como se pudessem compor um monólogo interminável.
A discussão que tivera não lhe agradara – a não ser pelo toque de inspiração que lhe fornecera – e com certeza não era a melhor maneira para terminar uma noite. Horácio sentia como se a oposição fosse entre três pessoas, e não duas: ele, ela e ele. Ele contra ela porque ele a odiava; ele contra ele porque ambos sabiam que ela não deveria estar entre amigos de tão longa data; e ele contra ela porque ele a amava. [confuso?]
No instante em que uma resposta parecia vir à tona, uma gota de chuva pingou em sua testa. [continua]