Resposta ao tempo

Horácio sentia uma agonia subindo-lhe pelo corpo, empurrando seu coração pela boca. Sentia aquela mão paradoxal, que já o havia acariciado por muitas vezes, causando as sensações mais exorbitantes que já sentira, mas que agora lhe causava os piores sentimentos. Não sabia se havia feito a coisa certa, ou a menos errada. Tudo que sabia é que não podia mais voltar atrás. Ele havia pensado muito no que fazer. Pensara deveras, e o tempo consumira todas as oportunidades. Horácio parou, e olhou ao seu redor. Parou.

Publicado em: às 20 de novembro de 2011 em 20:30  Comentários (3)  

Tempo Sem Tempo

Vê se encontra um tempo
Pra me encontrar sem contratempo
Por algum tempo
O tempo dá voltas e curvas
O tempo tem revoltas absurdas
Ele é e não é ao mesmo tempo
Avenida das flores
E a ferida das dores

E só então
De sopetão
Entro e me adentro no tempo e no vento
E abarco e embarco no barco de Ísis e Osíris
Sou como a flecha do arco do arco-íris
Que despedaça as flores mais coloridas em mil fragmentos
Que passa e de graça distribui amores de cristais, totais, sexuais, celestiais
Das feridas das queridas despedidas
De quem sentiu todos os momentos

(Zé Miguel Wisnik)

 

Publicado em: às 14 de novembro de 2011 em 0:04  Comentários (2)  

Sem título

“E Luísa tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia a um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!”
(Queirós, Eça de. O primo Basílio. 15ª edição, São Paulo: Ática, 1994, p. 134)
Publicado em: às 1 de novembro de 2011 em 21:18  Deixe um comentário  
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